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A Vigilância Sanitária do Paraná informou que, no Estado, foram comercializadas ao menos 2.084 próteses de silicone da marca PIP (Poly Implant Prothèse). Desse total, 1.507 foram compradas por clínicas e hospitais de Curitiba; 459 por Londrina; 94 por Guarapuava; 12 por Cambé; dez por Jandaia do Sul; e duas por Maringá. Algumas unidades foram enviadas para Umuarama, mas ainda falta levantar a quantidade exata.
Os números são preliminares. De acordo com o chefe da Vigilância Sanitária do Estado, Paulo Costa Santana, técnicos do órgão entrarão em contato com as clínicas que compraram as próteses e o material encontrado será apreendido.
Ele recomenda que os profissionais que realizaram cirurgias com as próteses da PIP entrem em contato com as pacientes e façam uma avaliação médica para decidir sobre a remoção do implante. No caso da necessidade de troca, o Procon já se pronunciou que a responsabilidade é do fabricante francês ou da distribuidora nacional.
Divulgação

O material produzido pela empresa francesa teve a venda suspensa no Brasil em primeiro de abril de 2010
Segundo a Vigilância Sanitária, ainda não é possível saber se as próteses compradas no Paraná foram implantadas em pacientes. Santana diz que foram reconhecidos sete pontos de aquisição em Londrina, um em Cambé e outro em Maringá. O nome dos locais não foi divulgado.
"Nós recebemos uma lista da EMI Importadora e Distribuidora, de Almirante Tamandaré, a responsável pela venda dos implantes no Paraná. A lista contém nomes de clínicas, profissionais e até mesmo de alguns pacientes", adianta.
ALERTA
“As pacientes devem procurar
os médicos para realizar os
exames necessários e fazer
uma avaliação clínica”
Trecho de nota publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
O cirurgião plástico de Ibiporã, Marcelo Takeshi Ono, disse que a notícia dos problemas apresentados pelas próteses PIP não é novidade para a categoria. Sabendo do fechamento da empresa que as produzia há mais um ano, o médico defende a utilização de marcas tradicionais no mercado.
"Eu só uso as marcas que foram pioneiras e já têm um período longo de testes e aprimoramentos. Um chamariz das novas marcas geralmente é o preço, mas ele não compensa a insegurança do que pode acontecer com o produto a longo prazo", destaca.
Uma jovem de 21 anos de Londrina, estudante de Medicina-Veterinária, que preferiu não se identificar, fez o implante há duas semanas. Na hora de escolher o local para realizar a cirurgia, visitou várias clínicas e profissionais da cidade e optou por aquele que lhe deu mais detalhes sobre o procedimento.
"O médico mostrou que utilizava uma prótese brasileira, disse que não havia perigo de vazamento do material. Além disso, o site do profissional apresenta diversas respostas a dúvidas dos pacientes, mostrando realmente que era um procedimento com material de qualidade", contou. (Colaboraram Pauline Almeida e Juliana Leite, de odiario.com/Londrina)
A FRAUDE SÓ FOI DESCOBERTA DEPOIS
Eduardo Nunes >> Cirurgião Plástico
Qual a principal diferença entre as próteses da PIP e as das outras marcas?
É a qualidade do silicone. A PIP usava o tipo industrial em vez do medicinal. A consequência é que começou a aparecer câncer de mama em mulheres que usaram o produto da marca francesa. Além disso, a prótese se rompia e o silicone entrava em contato com o corpo. É a clínica quem compra a prótese e essa da PIP era regulamentada no Brasil, só que a empresa fraudava. Quem comprava, não sabia da irregularidade.
Qual é a recomendação para as mulheres com próteses de silicone PIP?
Recomendaria que retirasse e trocasse a prótese por causa do grande número de casos de ruptura. Além disso, com o rompimento há o risco de aparecer um câncer de mama, além de outras consequências.
Como saber qual é a marca do implante?
A paciente recebe do médico um cartão, com o nome da marca, o tamanho da prótese, o nome do médico e as recomendações pós-cirúrgicas. A mulher que não tiver o cartão deve procurar o médico que fez a cirurgia. Ele terá todos os dados sobre o produto implantado.
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