Saúde e segurança são os grandes problemas no interior do PR | Imprimir |
Paraná
Escrito por Gazeta Maringá   
Seg, 09 de Janeiro de 2012 14:57

Às vésperas das eleições municipais, dois temas se destacam na agenda das maiores cidades do interior do Paraná: saúde e segurança. De acordo com le­­vanta­men­to realizado pela Paraná Pesquisas, com exclusividade para a Gazeta do Povo, os eleitores de Londrina, Marin­­gá, Cascavel e Foz do Iguaçu apon­­taram esses dois temas como os principais problemas de suas cidades. Nas três primeiras, a maior dificuldade, segundo a população, é a saúde pública, enquanto em Foz, na fronteira com o Paraguai, a violência ganha destaque.

Além desses dois pontos, ca­­da cidade destacou outros problemas vividos pelos moradores, e que podem se tornar ar­­mas importantes na hora das eleições. Em Foz, as drogas e o desemprego também entram na lista dos mais temidos. Já em Maringá, além das drogas, o trânsito também já é uma dor de cabeça para uma fatia considerável de eleitores. Moradores de Lon­­drina e Cascavel apontam um ou­­tro tema: a falta de pa­­vimentação nas ruas de am­­bas as cidades.

Protagonistas

Para o cientista político da Uni­­versidade Federal do Paraná (UFPR) Ricardo Oliveira, vários fatores contribuíram para colocar a saúde como protagonista entre as preocupações dos eleitores. O aumento da expectativa de vida e as modificações da pirâmide etária brasileira influenciam em uma maior percepção do problema por parte da população, além de aumentar a demanda já grande do serviço público de saú­­de do país. Além disso, o perfil dessas cidades colabora com essa situação. Como são polos re­­gionais de saúde, essas cidades recebem a demanda de toda a re­­gião, o que piora as filas e a qualidade do atendimento.

A segurança é a segunda maior preocupação dos eleitores dessas cidades. Segundo o sociólogo Pe­­­dro Bodê, coordenador do Grupo de Estudos da Violência da Univer­­sidade Federal do Pa­­raná (UFPR), vários fatores in­­fluenciam nesse sentimento de insegurança de parte da população. A percepção da violência não significa, necessariamente, que essas cidades estejam mais inseguras, já que relatos de insegurança no resto do país também influenciam para gerar esse sentimento. Além disso, a percepção também é afetada pela falta de acesso ao bem-estar, co­­menta o sociólogo.

Insegurança X drogas

Outro reflexo da questão da insegurança é a preocupação dos eleitores dessas cidades com as drogas. O nível varia entre 14% em Cas­cavel e 26% em Foz. Para Bodê, trata-se de um equívoco ligar diretamente esses dois problemas, já que o crescimento de um não está, necessariamente, ligado ao outro. “Em muitos países, se consome muito mais droga do que no Brasil e isso não se transforma em crime”, afirma. Entretanto, na ótica do eleitorado, esses problemas estão relacionados.

Menor pressão

Em contrapartida, outros temas que eram considerados problemáticos antes não foram destacados pelos eleitores, como a educação e o desemprego. Para Oliveira, a mesma mudança na pirâmide etária que jogou a pressão sobre o sistema de saúde aliviou a pressão do sistema educacional, já que o nú­­mero de crianças nascidas no país diminuiu. Já o desemprego deixou de ser uma preocupação por conta do momento econômico em que o país vive.

A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 10 de dezembro em Lon­­dri­­na, com 635 entrevistados acima dos 16 anos; entre os dias 9 e 11 em Maringá, com 625 pessoas; en­­tre 10 e 12 em Foz e 11 e 14 em Cas­­­­ca­­vel, com 655 pessoas entrevistadas em cada cidade. A margem de erro, em todos os casos, é de 4%, para cima ou para baixo. As res­­postas foram estimuladas e ca­­da entrevistado po­­deria citar até dois temas.

 

 

 
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