Número de homicídios do Paraná estabiliza em alta | Imprimir |
Paraná
Escrito por Gazeta Maringá   
Qui, 03 de Novembro de 2011 07:21

Sem conseguir mexer na estrutura do crime, o Paraná mantém elevadas as estatísticas de assassinatos. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), os ho­­micídios dolosos (com intenção de matar) caíram 9% de janeiro a se­­tembro em relação a esse período do ano passado. Mas, de julho a se­­tembro houve 8,2% mais assassinatos que o mesmo período de 2010 e 3,7% mais que o trimestre an­­terior. A variação em patamares elevados deixa claro que o Es­­tado não tem conseguido ir à raiz do problema, dizem especialistas.

A oscilação das taxas é pequena para se afirmar que as bases que motivam o crime estão sendo alteradas, avalia o doutor em Sociolo­gia Lindomar Wesler Bonetti, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Es­­tagnar o avanço da criminalidade, ainda que em níveis altos, não é de todo ruim, mas não indica uma correção das falhas na segurança pública, diz o sociólogo Pedro Bo­­dê, coordenador do Gru­­po de Es­­tudos da Violência da Universi­da­­de Federal do Paraná (UFPR). A oscilação se mantém nu­­ma lógica constante, ora levemente para baixo, ora para cima.

A redução das taxas, quando acontece, se dá mais por alguma operação centrada numa determinada zona com altas taxas de ho­­micídio do que por uma ação integrada de segurança pública, pondera Bodê. “É algo importante, que estanca o crescimento, mas não si­­g­­nifica que tenhamos uma implementação de políticas que possam reduzir [os homicídios] para níveis aceitáveis”, diz o sociólogo. O Pa­­ra­­ná segue com índices três vezes aci­­ma do recomendado pela Organi­zação Mundial da Saúde (OMS), que considera aceitável dez mortes a cada grupo de 100 mil habitantes.

Raízes do problema

Dos 752 homicídios registrados no Paraná no último trimestre, metade (389) ocorreu em Curitiba e re­gião metropolitana. Para Bonetti, o que se deveria buscar são as raízes do problema, os fatores que mo­­tivam tantos homicídios. Se­­gundo ele, é preciso considerar o atual modelo de segurança pública conjugado com um modelo so­­cial de pobreza, de vulnerabilidade social, de tráfico de drogas. “Esse conjunto de motivações [do crime] não demonstra ter sido alterado.”

Para Luís Flávio Sapori, professor da PUC de Minas Gerais, o que previne homicídios é o policiamento onde o tráfico de drogas está mais presente, apreendendo drogas e armas, e prendendo condenados e foragidos. Procu­rado pela reportagem, o secretário de Segurança Reinaldo de Almeida César estava viajando e não autorizou ninguém a falar em nome da Sesp.

 

 

 
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