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Sem conseguir mexer na estrutura do crime, o Paraná mantém elevadas as estatísticas de assassinatos. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), os homicídios dolosos (com intenção de matar) caíram 9% de janeiro a setembro em relação a esse período do ano passado. Mas, de julho a setembro houve 8,2% mais assassinatos que o mesmo período de 2010 e 3,7% mais que o trimestre anterior. A variação em patamares elevados deixa claro que o Estado não tem conseguido ir à raiz do problema, dizem especialistas.
A oscilação das taxas é pequena para se afirmar que as bases que motivam o crime estão sendo alteradas, avalia o doutor em Sociologia Lindomar Wesler Bonetti, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Estagnar o avanço da criminalidade, ainda que em níveis altos, não é de todo ruim, mas não indica uma correção das falhas na segurança pública, diz o sociólogo Pedro Bodê, coordenador do Grupo de Estudos da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A oscilação se mantém numa lógica constante, ora levemente para baixo, ora para cima.
A redução das taxas, quando acontece, se dá mais por alguma operação centrada numa determinada zona com altas taxas de homicídio do que por uma ação integrada de segurança pública, pondera Bodê. “É algo importante, que estanca o crescimento, mas não significa que tenhamos uma implementação de políticas que possam reduzir [os homicídios] para níveis aceitáveis”, diz o sociólogo. O Paraná segue com índices três vezes acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera aceitável dez mortes a cada grupo de 100 mil habitantes.
Raízes do problema
Dos 752 homicídios registrados no Paraná no último trimestre, metade (389) ocorreu em Curitiba e região metropolitana. Para Bonetti, o que se deveria buscar são as raízes do problema, os fatores que motivam tantos homicídios. Segundo ele, é preciso considerar o atual modelo de segurança pública conjugado com um modelo social de pobreza, de vulnerabilidade social, de tráfico de drogas. “Esse conjunto de motivações [do crime] não demonstra ter sido alterado.”
Para Luís Flávio Sapori, professor da PUC de Minas Gerais, o que previne homicídios é o policiamento onde o tráfico de drogas está mais presente, apreendendo drogas e armas, e prendendo condenados e foragidos. Procurado pela reportagem, o secretário de Segurança Reinaldo de Almeida César estava viajando e não autorizou ninguém a falar em nome da Sesp.
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