As chuvas que atingiram o Paraná no fim de semana causaram estragos em 19 cidades e prejudicaram 109.246 pessoas, de acordo com dados da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, divulgados ontem. Houve registros de destelhamentos, alagamentos e granizo, e de ventos de até 112 quilômetros por hora nas regiões Oeste, Central e Campos Gerais.
Em Foz do Iguaçu, uma pessoa morreu. Armindo Villalba Segóvia, 56 anos, de origem paraguaia, trabalhava na lanchonete de sua propriedade, no Jardim das Flores, quando a laje caiu e atingiu sua cabeça. Uma ambulância do Siate chegou a prestar socorro, mas Segóvia não resistiu aos ferimentos.
Também foram relatadas quedas de árvores sobre casas, rede elétrica e veículos. Segundo a Defesa Civil, 253 pessoas ficaram desalojadas (foram para casa de parentes) e cinco, desabrigadas (foram para abrigos públicos). Além disso, 2.218 residências foram danificadas.
Sem luz
Em Foz, casas foram destelhadas e dezenas de árvores caíram na região central e nos bairros, inclusive em cima de veículos, segundo os bombeiros. A força do vento ainda derrubou abrigos para ônibus, coberturas e fachadas de lojas. Parte da Avenida JK ficou alagada, impossibilitando a circulação de veículos. Cerca de 80% dos domicílios de Foz chegaram a ficar sem luz durante a tempestade. O temporal também interrompeu o fornecimento de água para a região sul da cidade, segundo a Sanepar. Noventa mil pessoas foram prejudicadas porque a Estação do Tamanduá ficou sem luz para fazer o tratamento e a distribuição de água.
De acordo com a Copel, aproximadamente 132,5 mil casas ficaram sem energia elétrica nos municípios de Medianeira, Missal, Cascavel, Toledo e Maringá. Três torres de transmissão, entre as cidades de Santa Helena e Medianeira, na Região Oeste, caíram em decorrência do temporal.
Moradores de Campo Mourão, no Centro-Oeste, continuavam no escuro ontem, 24 horas após o temporal. O vento derrubou árvores, tapumes, postes de iluminação pública e destelhou cerca de 50 casas. No bairro Vila Guarujá, cerca de 900 moradores passaram o domingo limpando a sujeira e consertando os estragos.
A dona de casa Rosa Coule, 46 anos, afastou todos os móveis para retirar terra e água do interior da residência. O temporal quebrou várias telhas da casa. “Foi um susto muito grande. Ficamos no rumo da porta, se todo o telhado fosse arrancado, iríamos correr para o quintal. Graças a Deus ninguém se feriu”, disse.
Na Região Central, 54 casas ficaram destelhadas. Em Guarapuava, 17 moradias ficaram parcialmente destelhadas, prejudicando 86 moradores. Em Pitanga, 37 residências tiveram telhas danificadas pelo vento, afetando quase 160 pessoas. De acordo com o Corpo de Bombeiros, foram cedidas lonas aos moradores de Pitanga e também Guarapuava. Castro, nos Campos Gerais, teve 11 casas destelhadas. Também foram cedidas lonas para que ninguém ficasse desabrigado. Em Ponta Grossa, a chuva provocou a queda da fachada de um prédio no sábado. Ninguém se feriu.
O conserto de três torres de transmissão de energia elétrica da Companhia Paranaense de Energia (Copel) no Oeste do estado, derrubadas durante o vendaval de sábado, deve levar no mínimo cinco dias. Localizadas entre os municípios de Missal e Santa Helena, a cerca de 90 quilômetros de Foz do Iguaçu, as estruturas metálicas ligadas em sequência não resistiram aos fortes ventos que atingiram a região.
Em nota, a companhia informou que a queda interrompeu a transmissão de energia para todo o município de Santa Helena e arredores, o que levou ao “desencadeamento imediato de uma operação de urgência para construir estruturas novas até quarta-feira”.
Também em nota, a Furnas Centrais Elétricas – responsável pela distribuição da energia produzida em Itaipu – informou que três torres de alta tensão em Vera Cruz do Oeste, próximo a Cascavel, também foram derrubadas pelo vendaval. Segundo a empresa, o incidente não chegou a afetar a transmissão. “O funcionamento perfeito dos sistemas de controle e de proteção de Furnas minimizou os impactos.” Equipes estão trabalhando na recuperação das estruturas.