Fritzl admite estupro e incesto, mas nega assassinato | Imprimir |
Mundo
Escrito por Marcela Miranda   
Seg, 16 de Março de 2009 09:58

Josef Fritzl, o homem que aprisionou a própria filha durante 24 anos num porão em sua casa e gerou sete filhos com ela (um morreu após o parto), declarou-se culpado nesta segunda-feira, 16, das acusações de estupro, incesto e cárcere privado, porém afirmou que é inocente das acusações de assassinato de um dos sete filhos e "escravidão", embora tenha reconhecido "parcialmente" sua culpabilidade por delitos sexuais.

Usando um casaco cinza, Fritzl entrou no tribunal ladeado por seis policiais e segurando uma pasta azul em ambas as mãos para evitar que lhe fotografassem o rosto. Ele permaneceu em silêncio e imóvel, ignorando questões de equipes de TV antes de antes que o juiz e o júri entrassem e as câmeras fossem retiradas do recinto.

O caso veio à tona há menos de um ano, quando uma das filhas de Fritzl com sua filha Elisabeth ficou seriamente doente e teve que ser levada a um hospital. Além de prender a filha e as crianças no porão, Fritzl teria ainda incinerado num forno de sua casa um bebê que teve com a filha Elisabeth e que teria falecido logo após o parto. A acusação classifica o ato como um assassinato por negligência porque Fritzl não buscou ajuda para o bebê, cujo corpo foi queimado em um forno.

O advogado de Fritzl argumentou que a acusação de escravidão era inapropriada e que ele contestaria a acusação mais grave, de assassinato. Segundo a BBC, a Justiça do país estipulou uma duração de cinco dias para o julgamento e um veredicto é esperado para a sexta-feira à tarde no horário local. Fritzl pode ser condenado à prisão perpétua se for considerado culpado de assassinato. De acordo com especialistas austríacos em Direito, livrar-se da acusação o livraria da sentença de prisão perpétua e lhe daria a perspectiva de uma pena relativamente branda: 15 anos de prisão pela pena mais alta, a de estupro. De acordo com as leis austríacas, após sete anos e meio de pena ele teria direito a pleitear a liberdade.

A juíza responsável, Andrea Humer, não quis fazer nenhum comentário sobre o caso, apenas afirmando que "é um processo como qualquer outro". Humer esteve presente durante a gravação do depoimento de Elisabeth Fritzl, a filha de Josef, feito em vídeo e com a duração de onze horas. Mas a promotora Christiane Burkheiser já adiantou que a gravação não será exibida na íntegra durante o julgamento.

As autoridades austríacas tomaram medidas para resguardar a privacidade de Elisabeth Fritzl e seus filhos durante esta semana, colocando-os sob a proteção de médicos e policiais na clínica de Amstetten-Mauer, com o objetivo de evitar o assédio dos paparazzi. Há alguns meses, Elisabeth vive com a família sob uma nova identidade na região da Áustria Alta, mas em dezembro um fotógrafo captou imagens de um passeio dela e as fotos foram publicadas num jornal inglês, causando indignação na opinião pública austríaca.

As deliberações serão feitas sem a presença da imprensa. Estima-se que 200 jornalistas tenham chegado à cidade para acompanhar o julgamento, mas eles terão acesso ao tribunal apenas durante a leitura das acusações, no início, e do veredicto, ao final do processo. Um porta-voz do tribunal dará declarações sobre o transcorrer do julgamento uma vez por dia.

Fonte: Agência Estado

 

 
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