Morador do Sul fecha conta no azul e consome mais serviços | Imprimir |
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Escrito por Gazeta Maringá   
Seg, 19 de Dezembro de 2011 09:14

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Fábio Motta e Danielle Vieira passaram a gastar mais com lazer após a chegada dos filhos

O morador da Região Sul fecha o mês no azul, mas gasta mais com transporte, serviços públicos e financeiros e lazer do que a média brasileira. É o que mostra uma pesquisa inédita da Kantar Worldpanel, obtida com exclusividade pela Gazeta do Povo. Segundo o levantamento, no fim do mês sobra o equivalente a 2% da renda para as famílias da região, desempenho bem melhor que a média do brasileiro, que fecha o mês devendo o equivalente a 1% do rendimento.

A “sobra” no fim do mês explica-se porque há uma grande participação das classes A, B e C na região (73% do total, contra 66% no Brasil como um todo), que pu­­xam para cima a renda e influenciam o perfil de consumo, segundo Fatima Merlin, diretora de varejo da Kantar. Com mais dinheiro, as famílias gastam mais com carro, o lazer do fim de semana ou o financiamento da casa.

No Sul, por exemplo, os de­­sembolsos, proporcionais à renda, são 21% maiores que a média brasileira com transporte; 19% com serviços financeiros; e 10% com lazer. Em compensação, são 10% menores com serviços pessoais, 7% inferiores à média com comunicação e 6% menores em higiene pessoal. “Não quer dizer que essas famílias utilizam menos esses itens, mas que, proporcionalmente à renda, eles têm uma participação menor. O comportamento indica uma maior sofisticação do consumo do que a média brasileira”, afirma Fatima.

No Nordeste, o consumo de produtos como higiene pessoal está acima da média, não apenas porque a renda é menor, mas também porque há uma classe média emergente que passou a usufruir com mais vigor esse tipo de produto. No Sul, por outro lado, há uma parcela maior da população que tem carro e casa própria, o que ajuda a explicar os gastos com transporte e serviços financeiros. De acordo com o levantamento, a renda média dos domícílios no Sul foi de R$ 2.337 em 2010, contra um gasto de R$ 2.284. A classe C é a que registra maior “sobra” no fim do mês: 4% da renda.

Para Christhian Majzak, analista da GO4! Consultoria, as famílias do Sul usufruem de um bom padrão de consumo há mais tempo que as do Nordeste. “E, com o aumento da renda, elas passaram a elaborar mais suas compras, além de ter recurso, no fim do mês, também para economizar.”

O estudo revela, por exemplo, que o consumidor do Sul vai mais ao supermercado que a média nacional – são seis vezes ao mês, contra quatro vezes da média brasileira – e as compras não se concentram só no período próximo ao pagamento do salário. Também gasta mais. No hipermercado, o ticket médio é de R$ 40,80, contra R$ 31,20 no restante no país. Ainda segundo o levantamento, nos três estados do Sul há uma parcela maior de donas de casa que trabalham fora – 41%, contra uma média de 38% do Brasil.

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Semelhanças - São Paulo se parece com a Região Sul

A renda na Região Sul no último ano cresceu 13%, mas os gastos cresceram mais, em torno de 14%. O comportamento sobre a renda, porém, é semelhante ao da Grande São Paulo – onde a sobra de recursos no fim do mês também equivale a 2%, segundo dados da Kantar.

A situação mais crítica é na região do Rio, onde estão as famílias mais endividadas: fecham o mês com um rombo de 16% no orçamento. O orçamento mais folgado é o das famílias do Centro-Oeste: com 7% de saldo.

Reforma da casa

O estudo da Kantar também mostra que o morador do Sul do país está gastando mais com material de construção. Os gastos anuais com esse tipo de produto por domicílio cresceram 34% nos últimos dois anos – de R$ 1.448,83, em 2006, para R$ 2.158,50 em 2010. Dos gastos com habitação – que absorvem 14% da renda – eles já representam 22% do total, à frente de outros itens como aluguel e a prestação da casa própria.

Comportamento - Consciência tranquila no fim de ano

O medo de fechar o mês no vermelho que aflige grande parte das famílias brasileiras não é motivo de apreensão na casa do representante comercial Fábio Motta, 43 anos, casado com a advogada Danielle Vieira, 41 anos.

Apesar das despesas mensais com os dois filhos – de 2 e 7 anos –, as contas tradicionais e o financiamento dos dois carros da família, entre outros gastos, eles ainda conseguem guardar 13% da renda mensal.

“A economia poderia ser ainda maior se os gastos com lazer fossem mais modestos”, diz Danielle. Mas ela confessa que é muito difícil abrir mão dos programas de lazer, sobretudo depois da chegada dos filhos.

“No mínimo uma vez por semana vamos ao shopping com as crianças”, conta a advogada, admitindo que as refeições fora de casa se tornaram mais frequentes. “Cada vez que saímos para jantar ou almoçar nós gastamos, em média, R$ 150. Já as idas ao shopping são mais baratas, cerca de R$ 80”, diz a advogada.

Outras despesas bastante expressivas no orçamento da família são as compras de supermercado e os gastos com combustível, elevado por causa do trabalho de Motta, que é representante comercial autônomo. O casal gasta cerca de 20 tanques de gasolina por mês (R$ 2.650).

No supermercado, além de uma compra grande para o mês, Danielle costuma fazer compras semanais de R$ 50 a R$ 80. “Geralmente são frutas, verduras e legumes frescos, além de outros itens que eventualmente estejam faltando em casa.”
 

 

 
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