Estádio vira condomínio de luxo em Mandaguari | Imprimir |
Futebol Profissional
Escrito por O Diário Maringá   
Ter, 22 de Novembro de 2011 08:42

O estádio onde o povo de Mandaguari viu o time da cidade vencer o Vasco da Gama (RJ), por três a zero, empatar com o vice-campeão da Taça Libertadores da América de 1960, o São Paulo, de Pedro Rocha, e enfrentar grandes clubes brasileiros, como Corinthians e outros, não existe mais. No lugar das arquibancadas, o terreno de 21 mil metros quadrados vai abrigar casas de luxo.

O Estádio João Paulino Vieira Filho, onde o Mandaguari Esporte Clube (MEC) disputou a final do Campeonato Paranaense de 1960, é um dos mais antigos do norte/noroeste do Paraná, está sendo desmanchado por decisão da diretoria do clube, que chegou à conclusão que não tinha mais como pagar as despesas, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de mais de R$ 10 mil por ano, com zeladores e outros gastos.

"O campo está em uma das áreas mais valorizadas de Mandaguari. Como não temos futebol, ele se tornou um elefante branco que só dá despesa", diz o presidente do MEC, Isaltino Felício da Silva.

 

As razões da diretoria não têm a concordância de boa parte da população, principalmente dos moradores mais antigos, aqueles que viram as glórias do MEC, o Leão do Norte. É o caso de ex-bancário Evandro Miguel de Oliveira, que hoje aos 55 anos lembra dos tempos em que o pai, o pioneiro Miguel Placindino, o levava para ver os jogos nas tardes de domingo.

 

"Um patrimônio histórico só tem valor no lugar onde a história se passou", alega, exemplificando que as pirâmides do Egito só têm valor histórico no lugar onde estão há milênios.

Para Evandro, quase tudo que tinha valor histórico na cidade já deixou de existir, por motivos nem sempre justificáveis. "São setenta anos de uma história e isso não pode acabar pela vontade de poucos. É preciso respeitar aqueles que no passado lutaram para que a cidade tivesse esse patrimônio", destaca.

 

Aos 84 anos, Arlindo Caetano da Silva diz que vê a história morrer todos os dias ao abrir a janela da casa dele. Arlindo integra a história do Leão do Norte.

Considerado o maior ponteiro direito da história do clube, chegou de Pernambuco para o time em 1955. Participou de todos os jogos importantes e mesmo quando o time acabou, em 1960, ficou morando dentro do estádio.

"Todos as manhãs, quando abro a janela, vejo que falta um pedaço da arquibancada, que passou uma rua por dentro do gramado, que arrancaram as traves", lamenta.

Arlindo tem a história do clube na ponta da língua, cita com facilidade as escalações do time em todas as temporadas, os principais jogos e até detalhes das partidas, das excursões, e acha que "essa mudança é resultado de terem deixado morrer o futebol da cidade". "Se tivesse um time, o campo seria usado e ninguém ia mexer", ressalta.

 

 

 
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